Monday, February 21, 2005

BRASIL TREINA NO VIETNÃ


Jávier GodinhoEspecial para o DM

O que há poucos anos parecia impossível está acontecendo agora e, o que é mais estranho, sem a atenção da chamada grande imprensa. O Brasil busca ajuda no Vietnã para defender a Amazônia, devido ao crescente avanço da cobiça internacional sobre suas extraordinárias riquezas naturais. Sem que ninguém noticiasse, no final do ano passado, uma comissão de oficiais do Exército Brasileiro esteve naquela nação asiática, enviada pelo Estado Maior dessa força, atendendo proposta do Comando de Operações Terrestres (Coter). O relato do fato ficou vários dias no site oficial do Exército na internet – www.exercito.gov.br – destacando que "a visita teve por objetivo realizar contatos com as forças armadas daquele país e viabilizar, em futuro próximo, intercâmbio com a Doutrina da Resistência nos níveis estratégico, tático e operacional". Para bom entendedor, os militares brasileiros querem se inteirar melhor das táticas usadas pelos vietnamitas para conter e expulsar de lá a maior máquina de destruição do mundo, lançada pelos EUA contra o Vietnã durante uma década.
QUEM FOI E O QUE VIU
Compuseram a missão brasileira os seguintes oficiais: coronel Luiz Alberto Alves Rolla, do Coter; tenente-coronel Moraes José Carvalho Lopes, do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs); major Cláudio Ricardo Hehl, da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, e capitão Paulo de Tarso Bezerra Almeida Simões, também do Cigs.Segundo constou do site, além de Hanói, foram visitadas as cidades de Haiprug, Ho Chi Min (antiga Saigon) e a província de Cúchi, que abriga 250 quilômetros de túneis onde os guerrilheiros se movimentavam na Guerra do Vietnã.Na mesma época, o site divulgava entrevista do general-de-Exército Cláudio Barbosa de Figueiredo, chefe do Comando Militar da Amazônia, frisando que o Brasil vai recorrer a ações de enfrentamento semelhante às de países como o Vietnã e o Iraque, em caso de conflito armado na Amazônia. Ele considerou que "a estratégia da resistência não difere muito da guerra de guerrilha e é um recurso do qual o Exército não abrirá mão num possível confronto com país ou grupo de países com potencial econômico e bélico maior que o do Brasil" e considerou que "se deverá contar com a própria selva tropical como aliada para o combate ao invasor".Com certeza, essas informações não agradaram nada ao Pentágono. Em volta de nossas fronteiras, os militares norte-americanos, a título de combater o narcotráfico e a guerrilha, já implantaram 20 bases. Dentro da Amazônia brasileira, são cada vez mais atuantes 600 ONGs (organizações não-governamentais), na grande maioria norte-americanas e européias, mantidas por grupos econômicos ou por governos estrangeiros, procurando ali diminuir a presença do poder nacional. Elas trabalham principalmente junto aos índios, exigindo para estes reservas descomunais faixas de fronteira. Isto acontece agora com a reserva Raposa Serra do Sol, fronteira com a Venezuela e a Guiana, onde o poder público brasileiro, em níveis federal, estadual e municipal, praticamente nada poderia fazer.Na 6ª Conferência de Ministros da Defesa das Américas, realizada em Quito, em novembro último, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, tentou de todas as formas q ue se aprovasse a formação de uma junta interamericana de defesa para combater o "terror regional", acabando com as forças armadas das nações latino-americanas e as transformando em meros organismos policiais. Brasil, Venezuela e Argentina, prontamente, a rechaçaram, conforme publicou, então, o Diário da Manhã. A atuação do ministro da Defesa e vice-presidente do Brasil, José Alencar, foi decisiva e brilhante naquela oportunidade.
COMO É O PLANO DE RESISTÊNCIA
Para a Amazônia, as Forças Armadas do Brasil desenvolveram a chamada Estratégia da Resistência. A intenção das grandes potências de se apossar das riquezas amazônicas, transformando-a em área internacional, é cada vez mais declarada.O coronel Robert H. Clegger, do Exército dos EUA, publicou na edição de maio/junho 1993, da Revista Infantry, o seguinte: "Atualmente, áreas tropicais continuam a ser voláteis e pode-se afirmar, quase com certeza, que o Exército dos EUA estará novamente engajado em operações na selva (reportando-se ao Vietnã, onde serviu). Infelizmente, não temos condições de saber quando e onde estas operações poderão ocorrer. Portanto, não devemos esquecer os ensinamentos colhidos sobre operações na selva e prosseguir com nosso adestramento para tais operações. Algum dia, talvez em breve, nossos soldados certamente irão combater, outra vez, na selva."A resposta brasileira está no livro Amazônia II – Brasil acima de tudo, editado pelo Movimento Nativista em 2003, através da experiência do general Paulo Roberto Corrêa Assis, ex-comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva, ex-chefe do Estado Maior do Comando Militar da Amazônia e ex-adido militar do Exército nos EUA. Sob o título "Estratégia da Resistência na Defesa da Amazônia", dentre outros aspectos, ele expõe:"Os soldados dos EUA já estão infiltrados na selva amazônica colombiana, a um passo da nossa fronteira, sob o pretexto de combater o narcotráfico. Evidências quanto a isso não faltam, pois temos assistido ultimamente a criação de bases americanas, radares, pistas de pouso e ações que comprovam o cerco ao arco fronteiriço amazônico. E o pior é que uma intervenção poderá acontecer com ou sem o aval da ONU, respaldados numa orquestração e intensificação que vêm se processando através da mídia mundial com o intuito de dar sustentação e motivos para uma futura invasão, dentro das teorias que vêm pregando ao longo de décadas, da soberania limitada, do dever de ingerência em subjugar os menos favorecidos."
PERGUNTA E RESPOSTA
O general Assis pergunta e responde: "Como enfrentar uma força muito superior convencionalmente? O que fazer após esgotada a nossa capacidade de enfrentamento, de reação, no combate convencional? Esgotada essa capacidade, cremos que teremos de partir firmes para outro tipo de combate, não restando outra opção senão o combate do desgaste, da usura, da lassidão, da guerrilha, dentro de uma estratégia criada com o nome de Estratégia da Resistência, explorando ao máximo as deficiências e vulnerabilidades do oponente."Ele revela como começou essa doutrina nas Forças Armadas:"O estudo desta estratégia iniciou-se em Brasília, em 1994, quando o general Pedrozo, então vice-chefe do Departamento Geral de Serviço, do qual eu era seu assistente, sabedor por antecipação que, ao ser promovido a general de exército, iria comandar o Comando Militar da Amazônia, expediu sua principal diretriz, qual seja de implantar um tipo de guerra de guerrilha no CMA. Iniciamos os estudos juntamente com o Comando de Operações Terrestres, onde contamos com a valiosa colaboração do coronel Álvaro, para criarmos essa estratégia a fim de nos anteciparmos a uma força muito superior, diante da qual estaríamos incapacitados de enfrentá-la caso viesse a intervir na Amazônia." E conclui: "Hoje, após decorridos quase 10 anos, posso afirmar que essa estratégia está doutrinariamente consolidada pelo CMA, pelo EME e totalmente integrada com o Comar VII em Manaus e o Comando Naval da Amazônia Ocidental, num trabalho conjunto que tem servido, também, como forte poder dissuasório contra aquelas pretensões." "Diário da Manhã", Goiânia-GO, 10 Fev 05.

2 Comments:

Blogger JOSÉ ROBERTO said...

Doutrina da Resistência ...

Qualquer movimento de resistência ou issureissional, necessita de uma potência patrocinadora. No Vietnã era a China e URSS. Na segunda guerra eram os aliados. Na independência Americana, eram os franceses, etc. Quem seria a nossa?

A China ? Cuba ?!!!

O Império Romano levou séculos para ser vencido pelos bárbaros!!

Talvez não restasse muito do território brasileiro como nós conhecemos atualmente, após feroz resistência de nossos bravos soldados do Nordeste,Sudeste e Sul. Pois creio que a população amazônica, pricipalmente as naçoes indíginas, passariam para lado da Potência(s) invasora(s).

O objetivo do comentário é construtivo. As vezes o óbvio não é persebido.

7:34 AM  
Blogger JOSÉ ROBERTO said...

Doutrina da Resistência ...

Qualquer movimento de resistência , necessita de uma potência patrocinadora. No Vietnã era a China e URSS. Na segunda guerra eram os aliados. Na independência Americana, eram os franceses, etc. Quem seria a nossa?

A China ? Cuba ?!!!

O Império Romano levou séculos para ser vencido pelos bárbaros!!

Talvez não restasse muito do território brasileiro como nós conhecemos atualmente, após feroz resistência de nossos bravos soldados do Nordeste,Sudeste e Sul. Pois creio que a população nativa, pricipalmente as nações indíginas, passariam para lado da Potência(s) invasora(s).

O objetivo do comentário é construtivo. As vezes o óbvio não é persebido.

7:38 AM  

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